Anita Leoa me disse que o céu estaria assim

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A linha turka da minha inquietude

Entre os dias frios de são paulo e agústia de ver o sol ganhei uma laringite. para quem me conhece, sabe que ficar sem falar é quase desesperador. necessário! urgente! imprescindível!


Por aqui saudades de ouvir mais música e fazer tatuagem. Sob o sol e o signo da poesia mal tenho escrito. estou muito mais concentrada nas minhas pesquisas... enfim, já deu! Um post de uma poesia antiga que só agora recebeu título, mesmo que eu não goste muito dele.

Essas é para os meninos do V.

Linha Turka


Nem pó

Nem estricnina


Arrumei

a cama

a cidade

a estrada


Inexistia

necessário

a luz

do dia


Não sabia

Dividir-me


e que a semana seja menos afônica e mais sábia.


beijocas da Bu

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A carta do diabo e a palvra encantada

E no meio de tanta coisa acontecendo o exercício era: Ontem recebi uma carta do diabo.

Eu recebi, li e escrevi essa daqui:

A máscara negra desposada

ontem recebi
uma carta do diabo
era hora
de cumprir
o nosso trato
botei um batom vermelho
joguei fora
os patuás
rasguei a blusa
afastei as pernas
já não mais
o dia
e eu ardia

pilar bu - 14/03/2009


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e eis que me chamara para ver palavra (en)cantada, filme fodástico sobre música e poesia. Nem sei porque as pessoas teimam em separar as duas coisas. Não se separam. No começo do mundo, no começo de tudo havia uma coisa só. O poeta era xamã, cantador, declamador, autor e senhor de sua obra. Era ele quem conduzia o espetáculo da palavra dita, verbalizada, oralizada e cantada.
A poesia nasceu para ser lida, para ser cantada, pega pela cintura e levada para passear. Se deixe levar.
Que existe muita crítica a respeito do filme, isso eu sei e nem ouso querem trazer algo profundo por aqui. Fato é que não existe nada no mundo em termos de produção cultural como no Brasil. Cosmopolita, dinâmica e democrático passa do samba, baião ao rock com maestria.
Me reencontrei intimamente com chico, estamos ensaiando nos apaixonar.. é verdade que ele tem deixado um pouco de ser buarque de hollanda, mas ainda é chico e nossas pases virão em breve.
Martinho da Vila, Adriana Calcanhoto, Lenine, Zeca Baleiro e Zélia Duncan ajudam bastante a rechear lindamente esse documentáio canção. E Lirinha, B Negão e Ferréz? Eu disse não disse que essa galera era de peso? Cantei a pedra há muito tempo. Sim, os três merecem fatalmente que eu caia de amores.
Mas quão maravilhoso é ver Lirinha recitando João Cabral, me derreto toda feito chocolate sabe, esse que me privo de comer, mas quando como é uma delícia. E uma boa dica, é reler Dos três mal amados de João Cabral que lirinha lindamente recita as pelavras de joaquim: O amor comeu minha certidão de idade.
Comeu sim. Comeu tudo e me fagocita todos os dias. Se eu tivesse que escolher em outras vidas o que seria, eu diria mais uma vez poeta. Se escrevo bem ou não pouco me importa, que se foda! Minha alma é livre, encantada e isso é o que importa.

E bora embolar a roda, engrossar o caldo, botar a roupa mais bonita... todo dia é dia de festar

bu

terça-feira, 17 de março de 2009

Nasci da contravenção e da inquietude de uma mulher militante e sindicalista e de um sambista incessante e irrequieto. No meio desta bagunça louca, Pilar bu.
Sabendo que a revolução acontece em casa e se espalha pelo mundo, fui criada com revolta e racionalismo, mesmo que muitas vezes sejam dicotômicos. Agora eu acho que eu perdi um pouco da brutalidade doce que sempre acompanhou a minha vida e a minha poesia. No meio da curva a gente fica bundão, besta mesmo, começa a achar que não acrescenta nada para ninguém. Perde a poesia, a vontade...
Ando tentando reencontrar o elo partido entre o ser e o avesso da coisa. entre a necessidade e a saudade. entre o sul e a cidade sabe? volto para a casa dos meus movimentos cíclicos e antropofágicos de me deglutir. Sento mais uma vez para ver o céu de São Paulo.

É bom estar por aqui... vou escrevendo para espantar os monstros. vou me antevendo às coisas que não sei.

Afogo
entre iemanjás
e poseidons
entre o azul
e a tranquilidade
entre o sal
e a saudade
homem vetruviano
me debato
lixo e desespero
arrebentação.

terça-feira, 10 de março de 2009

Em Mares nunca dantes navegados

"Um dia não e outro sim... o que eu sou devo a mim e aos meus amigos serei fiel até o final!" Isso é sábio e de uma música da Fernanda Abreu, mas nem vem ao caso. Caso é que 2009 chegou com ares de mudança para mim... Muita coisa aconteceu, inclusive a reforma ortográfica e eu ainda não me adaptei a ela.

Da Yôga tenho buscado a sabedoria e conhecer o meu corpo para tentar não adoecer tanto. Me acostumei a estar doente que tenho estado pouco tempo saudável. Vai ver tenho perseguido a doença fatal dos poetas de sempre! Piegas e medíocre.

Do curso de oficina literária em que me escrevi, e começou na semana passada, tenho buscado a mim mesma de forma incessante, para ver se consigo responder a algumas questões astrofísicas e filosóficas que nem os grandes suportaram.

Fato é que de tudo isso me resta apenas uma resposta. Anita Leoa. Quando me perguntaram o que tinha dentro do meu quarto escuro, essa foi minha única certeza.

Depois disso me pediram para matar a Adriana, personagem inventada que criaram para me definir. Advogada, virginiana, viciada em chocolate, noiva, doida para casar. Cerimônia simples, para os mais chegados, adorava a avó.

Morreu, morreu coitada. Assim, sem mais nem menos. Para que a anita, sempre ela ... pudesse mais uma vez surgir... sempre tão camaleonica e desbundada, irritante! De um jeito que nunca veio, em vez de poesia veio em prosa... devagar e eu gostei:

A faca no peito. A marcha nupcial.
O sangue é chocolate. Foi a vovó. Eu sei.
Virgem para sempre.


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E eu fui dormir feliz.

domingo, 7 de setembro de 2008

Mais uma

Conheci você numa noite de abril. Nem sei mais se era abril. Do alto da rodoviária vejo as estrelas da capital. Você sorriu da trivialidade e sumiu por entre os ônibus.
Deve ter sido assim.

Pilar Bu - 06/09/2008

domingo, 17 de agosto de 2008

Um pouquinho de raul e de catastrofe.

A vontade de escrever me abandonou, bateu a porta na minha cara e aí... e aí? Fazer o que? Sentar e chorar não dá por isso eu continuo por aí vendo um pouco de melancolia para me inspirar! ih, mas esqueci que não são as musas que me comovem e de romântica tenho pouco. Ai que dor, o que me impulsiona a escrever não tem nada a ver comigo.
Mas voltemos a falar da dita cuja, aquela que me abandonou na maior cara de pau, ainda estou sem saber o que fazer...
Ela tem corrido pelas ruas, entrado nos becos e se vendido por alguns trocados para virar best-seller de auto-ajuda e pré-fabricados. Se eu depender de escrever esse tipo de coisa estou realmente ferrada. Acho que vou dizer da minha morte amanhã para que seja anunciada no jornal e quem sabe eu tenha poucos minutos de fama.
A verdade é que os moribundos, aflitos e arredios e insensatos seres que andam pela terra, assim meio por aí alienados, deveriam ter a respostas, mas coitadinhos, só vagueiam e nem sabem do que estou falando.
Por falar nisso, a língua vai mudar e inserir novas exceções ( é assim que se escreve?). Bom e mal me deixam preocupadas, por que ela ainda anda por ai e pode não voltar, pois por falta de entender esse novo código não deve mesmo conseguir chegar em casa.
Ah, meu deus que dor de ausência de mim mesma. Me sinto tão moderna, descolada e concreta hoje. estou palpável como você nem imagina. Quer sentir?Melhor deixarmos essas idéias para mais tarde a meia luz, só nós dois no quarto.
É por fim agora o fim do fim do dia que dependo dela. Ela que nem sabe meu nome, beija minha boca e sai por ai chorando pelos cantos por qualquer pedaço de saudade repentina. Ela que me comove no asfalto, na falta de vontade, na magreza de certos meninos doentes, ela que é feia e na feiúra é minha. Na feiúra é bela. Será que só eu percebo que a beleza não está nesses versos, nem naquelas rimas, a beleza está na profunda catástrofe do ser-humano que não é, finge ser, por incapacidade do que nunca foi.
Minha argila é a maledicência, minha vontade é o que você geralmente não quer e joga fora, o meu ser é o não ser intermitente. Ser Intermitente. Indecente. Inerente a mim. Inconveniente. Estrofes pobres deitas nas ruas do desassossego. Eu percebo. Eu percebo o mundo cego de tanto enxergar, eu percebo a ausência coletiva de ser o que não se deve.
Eu sou, você cede.

Anita

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Nem te falta
vontade
nem te falta
desejo
você simplesmente
não é
finge.

Pilar Bu - 17/8/8


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e se: TOCA RAUUUUUL. Ele toca aqui.

Tu és o grande amor
Da minha vida
Pois você é minha querida
E por você eu sinto calor
Aquele seu chaveiro
Escrito "love"
Ainda hoje me comove
Me causando imensa dor
Dor!...

Eu me lembro
Do dia em que você
Entrou num bode
Quebrou minha vitrola
E minha coleção
De Pink Floyd...

Eu sei!
Que eu não vou ficar
Aqui sozinho
Pois eu sei
Que existe um careta
Um careta em meu caminho...

Ah!
Nada me interessa
Nesse instante
Nem o Flávio Cavalcanti
Que ao teu lado
Eu curtia na TV, na TV...

Nessa sala hoje
Eu peço arrêgo
Não tenho paz
Nem tenho sossego
Hoje eu vivo somente
A sofrer! A sofrer!...

E até!
Até o filme
Que eu vejo em cartaz
Conta nossa história
E por isso, e por isso
Eu sofro muito mais...

Eu sei!
Que dia a dia
Aumenta o meu desejo
E não tem Pepsi-cola que sacie
A delícia dos teus beijos...

Ah!
Quando eu me declarava
Você ria
E no auge da minha agonia
Eu citava Shakespeare...

Não posso sentir
Cheiro de lasanha
Me lembro logo
Das casas da banha
Onde íamos nos divertir
Divertir!...

Mas hoje o meu
Sansui-Garrat e Gradiente
toca mesmo embalo quente
Prá lembrar do teu calor
Então eu vou ter
Com a moçada lá do Pier
Mas prá eles é careta
Se alguém
Se alguém fala de amor
Ah!...

Na Faculdade de Agronomia
Numa aula de energia
Bem em frente ao professor
Eu tive um chilique desgraçado
Eu vi você surgindo ao meu lado
No caderno do colega Nestor
Nestor!...

É por isso, é por isso
Que de agora em diante
Pelos 5 mil auto-falantes
Eu vou mandar berrar
O dia inteiro
Que você é: O Meu
Máximo Denominador Comum!...





terça-feira, 1 de julho de 2008

Um conto de fadas

Vesti as roupas erradas, deixei tudo bagunçado, mudei tudo de lugar, pintei a parede da sala de roxo, dormi de baixo da cama e me perdi em fantasias desesperadas . Quanto mais os ponteiros iam mais eu me sentia confusa, às vezes preciso tomar alguma coisa pra dormir....

..................................................... não, não, não esquece essa última parte! Há dias não tenho uma noite de sono. O gato do visinho arranha as paredes, a vizinha do andar de cima resolveu demonstrar o amor pelo seu macho às 4 da manhã. Estou de mudança para outra dimensão. Decidi encaixotar tudo e dormir de baixo da cama. Ah, há dias não sei o que é dormir! Já devo ter dito isso!?

Minha cabeça anda franca fraca, fraca... e na mesinha de cabeceira três seios de novélia aguarda que eu termine com Lobo Antunes de uma vez. Essa é a verdade inescapável da minha poesia. Percebo agora entre tantas outras coisas que eu nem sei rimar... Será que existo? Ou sou apenas o reflexo turvo do espelho quebrado da fumante compulsiva.

Ah, minha cabeça dói. Pensar não é urgente! Pensar não é urgente! Urgente! A urgência não existe no mundo em que vivo. A felicidade em um comprimido verde que me acalma, que me faz dar passos lentos, largos e profundos na lama.

Cansei dessa egotripe. Decidi a partir de hoje colocar pra fora toda a rebeldia da transgressão que um dia tive e que morreu despedaçadamente no cruzamento da Avenida Paulista. Berro loucamente esperando que alguém escute, mas a modernidade é tão moderna que ninguém tem ouvidos sábios para ouvir-te Chico. Vou-me embora no primeiro trem, sim vou. Venha também.

O dia está lindo e eu continuo lânguida. Que palavra bonita é essa? Lânguida. Ou qualquer coisa que não seja aquilo tudo que eu disse antes.



Ass. Placebo